Atualizado em junho de 2025
Participar de um ritual em uma aldeia indígena; conhecer de perto o dia a dia de uma comunidade de pescadores; desvendar a cena cultural da periferia de uma cidade a partir do olhar de seus moradores; ouvir histórias ancestrais de quilombolas. Experiências diferenciadas e autênticas como estas são cada vez mais procuradas por viajantes em busca de encontros, conexões, transformações, aprendizados e impactos positivos.
É tudo isso e muito mais que a Rede BATUC oferece aos viajantes, apresentando uma Bahia muito além das lindas praias, do Pelourinho, das igrejas históricas e da axé music. Com um cenário tão diverso, fortalecido especialmente pelas comunidades locais e seus saberes, a Bahia tem se destacado no cenário do Turismo Comunitário no Brasil, principalmente por uma característica essencial: o associativismo, a co-criação.
A Rede BATUC nasceu como um movimento de integração entre as comunidades do estado, a partir de uma reunião entre representantes de comunidades, técnicos, pesquisadores e professores durante o Encontro Nacional da Rede Brasileira de Turismo Solidário e Comunitário – TURISOL, em 2015. “A Rede nasceu da necessidade de se aprimorar esse relacionamento e nosso poder de coesão e associativismo”, contou Elisângela Lima, membro da Comissão Estadual 2021/2022 da Rede BATUC, durante o Podcast do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável, realizado pela CTG Brasil e Ashoka Brasil. “A Bahia é tão diversa! Por que não aproximar diversos empreendimentos do turismo de base comunitária? Assim podemos ter uma ação mais conjunta e mais eficaz no contexto das políticas públicas e da sociedade civil”.
A BATUC foi uma das três iniciativas premiadas no Desafio de Inovações em Turismo Sustentável, que aconteceu em 2020 e contou com quase 70 inscritos de todo o Brasil. Além de uma premiação em dinheiro, a associação foi contemplada com mentoria técnica e um vídeo promocional. Ela se destacou por seu caráter pioneiro e inovador, além, é claro, de contemplar questões tão atuais como diversidade e inclusão.

Foto: Nuno Nascimento | Quilombo Quingoma
“Nossa trajetória vem desde 2013 e, desde então, viemos construindo esse movimento que se tornou uma rede”, explicou Aline Bispo, também membro da Comissão Estadual 2021/2022 da Rede BATUC, em conversa no Podcast. “Estamos no momento de parar e refletir sobre nossas potencialidades, porque até agora tudo cresceu de forma muito orgânica. Hoje temos mais de 40 comunidades envolvidas com o turismo, algumas já formalmente ativas e outras que estão no processo de maturação”, complementou Aline. Além delas, a Rede BATUC conta com o engajamento de guias, agentes de turismo, academia e outros profissionais – todos voluntários e que trabalham com um modelo de gestão conjunta e de aprendizado coletivo.
O que é o Turismo de Base Comunitária para a Rede BATUC?
“O Turismo Comunitário é uma forma de realizar o turismo com responsabilidade, sustentabilidade e solidariedade, onde povos e comunidades tradicionais da agricultura familiar e da cidade compartilham com os visitantes experiências autênticas e transformadoras” – Rede BATUC

Foto: Coqueiro Alto | Rede BATUC
“Nós trabalhamos com uma estratégia de autogestão com base nos princípios da economia solidária e entendemos que o turismo é uma oportunidade de complementação de renda e de entrega de benefícios não econômicos, como a preservação do ambiente e de nossos territórios, a valorização e resgate da cultura, os direitos à diversidade, a promoção da paz, e a interculturalidade”, explica Elisângela.
Quando falamos em Turismo Comunitário na Bahia, estamos considerando comunidades de pescadores, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, periferias, extrativistas e fundo de pasto, que descobriram no turismo uma forma de valorização do seu modo de vida. De fato, um dos grandes benefícios do Turismo Comunitário é o entendimento de que a cultura e tradições destes grupos e pessoas têm um valor imensurável.
Com apoio e participação dos atores envolvidos na Rede BATUC, a região ganhou a Lei nº 14.126, de 2019 (BAHIA, 2019), que instituiu a Política Estadual de Turismo Comunitário no estado da Bahia. De acordo com Aline Bispo, esta foi a segunda lei do gênero no país, mas já está inspirando a criação de muitas outras.
Como fazer uma vivência de Turismo Comunitário na Bahia?
Listamos abaixo algumas das iniciativas que fazem parte da Rede BATUC. Você pode escolher qual gostaria de vivenciar e entrar em contato com a Rede BATUC (redebatuc@gmail.com) para mais informações e agendamento. Além de vivências culturais, há roteiros que envolvem trilhas, banhos de cachoeira, cultivo em hortas e outros atrativos. Algumas comunidades oferecem experiências de mais dias, com hospedagem nas casas dos moradores.

Foto: Aldeia Mirape | Rede BATUC
1. Rota da Liberdade – Turismo étnico afro comunitário em quilombo
Local: Cachoeira |Instagram: @turismo_rotadaliberdade
2. Quintal da Margarida – Calafate – Turismo comunitário urbano / experiência feminina
Local: Salvador | Instagram: @quintal_margarida
3. Roteiros em Cantos da Chapada – Turismo em assentamento
Local: Itaetê – Chapada Diamantina | Instagram: @tbcitaete
4. Vivertur Matarandiba – Turismo em comunidade de pesca
Local: Matarandiba – Vera Cruz, Ilha de Itaparica | Instagram: @viverturmat
5. Grota Quilombola – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Mirangaba – Chapada Diamantina | Instagram: @grota_quilombola
6. Quilombo do Massarandupió – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Entre Rios – Costa dos Coqueiros | Instagram: @quilombolademassarandupio
7. Reserva Pataxó da Jaqueira – Turismo dos povos originários / indígenas
Local: Porto Seguro | Instagram: @reservapataxodajaqueira
8. Serra Norte Ecoturismo Rural – Ecoturismo comunitário no Fundo de Pastos
Local: Itiúba | Instagram: @serra_norte
9. Alagados Turismo Comunitário – Turismo cultural da península de Itapagipe
Local: Salvador | Instagram: @actour_brasil
10. Quilombo Jatimane – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Nilo Peçanha – Costa do Dendê | Instagram: @turismodejatimane
11. Santa Cruz Ponta da Serra – Turismo religioso e cultural comunitário
Local: Adustina | Instagram: @santacruzpontadaserra
12. Quilombos do Tereré e Maragojipinho – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Vera Cruz | Instagram: @quilomboterere
13. Ressex Cassurubá – Reserva extrativista / comunidades de pescadores
Local: Caravelas, Nova Viçosa e Alcobaça – Costa das Baleias | Instagram: @resexcassuruba
14. Quilombo Quingoma – Turismo afroétnico no quilombo / indígena
Local: Lauro de Freitas – Costa dos Coqueiros| Instagram: @quilomboquingoma
15. Casa do Boneco Quilombo D’Oiti – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Itacaré | Instagram: @casadoboneco.itacare
16. Poço Azul/Assentamento Andaraí – Ecoturismo comunitário
Local: Nova Redenção – Chapada Diamantina | Instagram: @poco_azul_oficial
17. Associação Despertar Trancoso – TBC – Ecoturismo comunitário
Local: Porto Seguro | Instagram: @despertartrancoso
18. Quilombo Gruta dos Brejões – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Morro do Chapéu – Chapada Diamantina | | Instagram: @grutadosbrejoes
19. Gente do Conduru – Hospedagens/vivências comunitárias
Local: Serra Grande, Uruçuca – Costa do Dendê | Instagram: @gentedoconduru
20. Quilombo Dandá – Turismo afroétnico no quilombo
Local: Simões Filho | Instagram: @aquidanda
21. Aldeia Pataxó Mirapé – Etnoturismo dos povos originários/indígenas
Local: Porto Seguro | Instagram: @aldeia_pataxo_mirape
22. Reserva Pataxó de Aldeia Velha – Etnoturismo dos povos originários/indígenas
Local: Arraial D’Ajuda, Porto Seguro | Instagram: @reserva_pataxoaldeia_velha
23. Assentamento Boa Sorte Una – Turismo em assentamento
Local: Iramaia
24. Turismo em Assentamento – Ame Caritá – Tecelagem, patrimônio histórico e turismo solidário
Local: Jereboabo | Instagram: @artesanatoamecarita
Confira o mapa com as iniciativas da Rede BATUC:
(Importante: os locais marcados não são exatos. Confirmar antes os endereços)
Essa publicação faz parte do projeto Trilhando a Transformação: Desafio de Inovações em Turismo Sustentável, realizado pela CTG Brasil e Ashoka Brasil
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