Uma aventura de apenas um dia que está, sem dúvidas, na lista das experiências indispensáveis no Chile para amantes de natureza e aventura e entre as trilhas mais apaixonantes da América Latina. O trekking até a base das Torres del Paine, dentro do Parque Nacional que leva o mesmo nome, no sul da Patagônia chilena, é uma das atividades mais buscadas da região. Garantindo paisagens únicas e momentos desafiadores, a trilha tem entre 20 e 22 km (ida e volta) e impressiona até mesmo os aventureiros mais experientes. Ela entrou para a minha lista das 5 aventuras mais incríveis e tenho certeza de que vai fazer parte da sua também! Recomendo um mínimo de preparo físico, bastante determinação, a escolha da melhor época e acompanhar algumas das recomendações abaixo. Depois é só desfrutar de momentos e paisagens únicos.
Eu fiz o trekking até a Base das Torres del Paine a partir do EcoCamp Patagonia, localizado dentro do Parque Nacional Torres del Paine, e isso me garantiu vários benefícios – como chegar mais cedo na trilha e na base das Torres (antes dos outros grupos), não precisar ficar duas horas no carro na ida e na volta e contar com o acompanhamento de guias super experientes. Eu realmente recomendo. O EcoCamp Patagonia é o primeiro hotel do mundo construído em domo geodésico e tem práticas inspiradoras de sustentabilidade. Ficar hospedado lá já é uma experiência em si. Mas a partir de lá você também pode fazer diversas atividades pelo Parque Nacional e arredores. A subida até as Torres é uma delas.

Vista das Torres del Paine desde o EcoCamp Patagonia | Foto: Foto: Ana Duék, Viajar Verde
A contratação de guia para o trekking até a Base das Torres del Paine não é obrigatória e a trilha é bem sinalizada. Mas se essa é sua primeira vez em Torres del Paine, eu acho altamente recomendável. O guia vai poder te orientar com todas as informações sobre a região, ajudar a monitorar o tempo de subida e descida e garantir sua segurança especialmente se o clima da Patagônia trouxer uma surpresa – o que é bem comum por lá!

Base das Torres del Paine | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Sobre o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile
Localizado no extremo sul da Patagônia chilena, na região de Magalhães, e declarado como Reserva da Biosfera da UNESCO, o Parque Nacional Torres del Paine, fundado em 1959, se estende por uma área de cerca de 242 mil hectares, reunindo uma impressionante diversidade de ecossistemas que vão da estepe patagônica às florestas subantárticas e aos glaciares dos Campos de Gelo Sul. Essa variedade de paisagens também se reflete na biodiversidade: o parque abriga centenas de espécies de plantas e uma fauna emblemática, com destaque para guanacos, pumas, raposas, huemules (veado andino e uma das especies mais ameaçadas do Chile), além de cerca de 100 espécies de pássaros, incluindo o icônico condor-andino, flamingos e cisnes-de-pescoço-preto. O nome “Torres del Paine” refere-se às três icônicas torres de granito do Maciço Paine que se destacam em meio ao parque. “Paine” significa azul na língua indígena Tehuelche. Entre os imponentes picos nevados, lagos de águas turquesas e glaciares milenares, Torres del Paine é um dos santuários naturais mais inóspitos e extraordinários da América do Sul.
Como chegar ao Parque Nacional Torres del Paine
– A principal porta de entrada do parque é a cidade de Puerto Natales, a cerca de 112 km (2h de carro).
– O aeroporto mais próximo é o de Puerto Natales (Teniente Julio Gallardo), com voos sazonais desde Santiago.
– Outra opção é voar até a cidade de Punta Arenas (a 320 km do parque), que recebe mais frequências ao longo do ano.
– A partir de Puerto Natales ou Punta Arenas, é possível chegar ao parque de carro, ônibus ou transfer.
– Há saídas diárias de ônibus durante a alta temporada, com paradas nas principais entradas do parque.
Lembrando que, se você estiver hospedado no EcoCamp Patagonia, não precisará se preocupar com o trajeto até o parque, pois o próprio hotel oferece o transfer no dia da sua chegada, desde Punta Arenas ou Puerto Natales.
Como é o trekking até a base das Torres del Paine
Acordamos cedo, tomamos nosso café da manhã, preparamos nosso lunch box e… pé na trilha! O trekking até a base das Torres del Paine tem tido cada vez mais procura na região e, se você não quer se deparar com filas de pessoas, o melhor é sair o mais cedo possível! Por isso, estar dentro ou perto do parque (e não na cidade) é uma absurda vantagem.
Se não for possível, atente-se para escolher uma agência que não vai demorar para chegar a Torres del Paine e preocupada com a segurança de todos. Eu recomendo a Chile Nativo.
Os primeiros passos na trilha são empolgantes. Não sabemos bem o que está por vir e tudo é uma nova descoberta. O EcoCamp faz grupos pequenos e eu tive a grande sorte de dividir a experiência com aventureiros de diversos países: uma canadense, uma britânica, um indiano e dois americanos – todos mais velhos, porém muito mais bem preparados do que eu!

Parque Nacional Torres del Paine. Início do trekking até a Base das Torres | Foto: Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Quem sai do EcoCamp não precisa passar no centro de visitantes, localizado no Hotel Las Torres. Passamos na lateral e seguimos adiante. Logo nos deparamos com nossa primeira subida, o Valle del Ascencio. Ela não é muito íngreme, mas é uma subida extensa. Essa foi para mim a parte mais chata e desafiadora. O corpo ainda estava frio e o vento gelado não ajudou. Foi nesse momento que me dei conta de que meus companheiros estavam mais bem preparados e eu podia estar retardando-os. O psicológico bateu quando pensei que ainda faltavam mais de 6 km para chegar. Confesso que cheguei a pensar em desistir! Paramos, respiramos. Eu retirei a calça impermeável e algumas camadas – estava suando! E consegui continuar. Meus guias foram essenciais para me dar força para seguir em frente.
Logo depois dessa subida inicial, chegamos a uma região linda de vales chamada Paso de los Vientos. Como o nome já diz, os ventos é quem mandam ali. Mas não posso reclamar – eu tive a sorte de um dia incrível. Saímos com céu nublado, mas não tivemos chuva e nem ventos fortes no caminho. E ainda fomos brindados com um sol lindo na chegada à base das Torres! Tenha em mente que isso é raro, por isso é importante estar bem preparado. No final do texto eu deixo as recomendações de roupas e equipamentos.

Paso de los Vientos, trekking até a Base Torres del Paine | Foto: Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Caminhamos mais um pouco até alcançarmos o Refúgio Chileno. Nossa primeira parada com mais calma, onde aproveitamos para fazer um pequeno lanchinho e recarregar energia. O Refúgio é uma estrutura de camping, restaurante e banheiros para os trilheiros da região e é usado principalmente por quem faz os circuitos W e O.

Refúgio Chileno, Torres del Paine | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Retomamos nossa caminhada e logo entramos em um bosque, com floresta mais densa. Foi a chance de observar alguma vida silvestre e admirar paisagens diferentes, enquanto a subida bem sutil ficava disfarçada. Também é o momento de nos prepararmos para a famosa ascensão final, conhecida como La Morrena, uma subida bem íngreme e cheia de pedras. Faltam 2,8km e agora a dificuldade é considerada alta. Mas nesse momento você está tão perto de chegar que toda a sua energia se concentra no objetivo final! Antes de La Morrena há uma guardería (base). É a sua última oportunidade para o banheiro. Ali também está a o ponto de fechamento da subida até o Mirador Base Torres – 16h no verão e 15h no inverno. Portanto, fique atento para chegar bem antes dessa hora.

Subida La Morrena, trekking até a Base Torres del Paine | Foto: Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Subida La Morrena, trekking até a Base Torres del Paine | Foto: Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Chegar à base das Torres é, sem dúvidas, um momento mágico, não só pela beleza única desse lugar, mas pela sensação de superação que você vai viver! É daqueles sentimentos que ficam guardados para sempre nas suas memórias de viagem. Acredite.

Base das Torres del Paine | Foto: Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Trekking até a Base Torres del Paine: uma das experiências mais desejadas da Patagônia chilena | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Se você ou seu grupo tiverem realizado a subida em bom tempo, você terá a oportunidade de desfrutar a paisagem por alguns momentos. Nós paramos para fotos e para almoçar de frente para aquelas três imponentes torres de granito, com mais de 2.800 metros de altura. O importante é controlar a hora de descer, afinal, são 10 km de volta!
A descida, para mim, é sempre o momento mais fácil. Mas sei que isso depende de cada um. Para quem tem alguma questão com o joelho, a descida de La Morrena não é simples. Por isso os bastões de caminhada são muito recomendados nesse trekking.
Levamos 10 horas para fazer o percurso, com direito a paradas estratégicas para descanso, lanches e fotos. Foi sem dúvidas uma das experiências mais difíceis e mais mágicas da minha vida. Além das paisagens únicas e surpreendentes de Torres del Paine, você aprende sobre sua capacidade de resiliência e superação e tem a maravilhosa oportunidade de se conectar com diferentes pessoas e energias. São elas que te ajudam a chegar lá! Sem dúvidas uma experiência que recomendo para todos ao menos uma vez na vida.
O que levar na trilha Base Torres
Como o tempo na Patagônia muda a qualquer momento, é sempre importante estar preparado!
- Boas botas de trekking
- Roupa em camadas: camiseta, segunda pele, fleece
- Jaqueta impermeável para chuva
- Calça impermeável (eu coloquei uma legging embaixo da impermeável e tirei no caminho)
- Boné
- Protetor solar
- Luvas (dependendo da temperatura)
- Óculos escuros
- Água – 1,5 litros
- Alimentos para o dia
Melhor época para ir a Torres del Paine
A alta temporada (verão) vai de dezembro a fevereiro, quando os dias são longos e as temperaturas mais agradáveis favorecem trekking e navegações. É também o período com maior oferta de serviços e infraestrutura funcionando plenamente. Em contrapartida, os ventos podem ser intensos e as trilhas, especialmente as mais clássicas como o W e o O, ficam mais movimentadas.
Para uma experiência mais tranquila, vale considerar as estações intermediárias. Entre outubro e novembro, a primavera traz flores, rios mais volumosos e uma sensação de renovação na paisagem. Já março e abril oferecem temperaturas ainda estáveis, menos vento e o início do espetáculo das cores de outono, com tons dourados e avermelhados que transformam o parque. Nessas épocas, além de menos visitantes, é comum encontrar melhores condições para fotografia e uma conexão mais especial com o destino.
No inverno (junho a agosto), o parque assume um caráter mais selvagem e silencioso, com neve cobrindo montanhas e trilhas. Embora o acesso seja mais limitado e muitas estruturas fechem, é uma época especial para quem busca isolamento, paisagens dramáticas e experiências guiadas mais exclusivas.
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