Santuário da biodiversidade e um dos destinos mais icônicos para o ecoturismo no mundo. Lar de incríveis iguanas-marinhas, tartarugas-gigantes e tentilhões de Darwin, que desempenharam papel crucial no desenvolvimento da Teoria da Evolução, as Ilhas Galápagos muitas vezes deixam de entrar nos nossos desejos de viagem porque parecem muito distantes, caras e difíceis de serem alcançadas. Que tal desconstruirmos essa ideia? Podemos começar lembrando que elas estão localizadas no Equador, um país latino-americano próximo ao Brasil, com o qual temos boas relações diplomáticas, facilidade de entrada e quase nenhuma barreira linguística, já que o espanhol é uma língua familiar para muitos brasileiros. Convido você a repensar a viagem para as Ilhas Galápagos e descobrir um destino fascinante, bem mais acessível do que parece!
Minha segunda visita às mágicas Ilhas Galápagos não poderia ter sido mais especial. Desta vez, fiz questão de fazer um roteiro responsável por terra, ou como se diz por lá “land based”, para ter a oportunidade de vivenciar mais de perto o dia a dia das ilhas, ter contato com moradores locais e, claro, descobrir outras experiências. Em minha primeira viagem ao arquipélago equatoriano, em outubro de 2023, fiz um cruzeiro de cinco noites a bordo do iate La Pinta e tive a oportunidade de conhecer algumas das ilhas mais remotas e distantes.

Atobá-de-pés-azuis, um dos pássaros mais incríveis das Ilhas Galápagos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Nesta viagem, a operadora Neotropic Expeditions, comprometida com o turismo responsável e sustentável, me ajudou a organizar uma deliciosa viagem de seis dias – três na Ilha Santa Cruz e três em Isabela, que são duas das quatro ilhas habitadas do arquipélago. Vou contar aqui meu roteiro e algumas dicas para você decidir se a sua viagem ideal é por terra ou por mar. Uma coisa eu posso dizer: as duas experiências são únicas e diferentes de qualquer outro destino que você tenha visitado no mundo! Escolha a que mais se adapta ao seu estilo, necessidades e possibilidades e coloque a viagem a Galápagos agora mesmo na sua programação!
1. Como chegar nas Ilhas Galápagos
2. O que é preciso para viajar para Galápagos?
3. Galápagos: qual a melhor época para visitar?
4. Roteiro de 6 dias por terra em Galápagos
5. Ilha Santa Cruz, Galápagos: o que fazer em três dias
6. Onde ficar na Ilha Santa Cruz
7. Ilha Isabela, Galápagos: roteiro de três dias
8. Onde ficar na Ilha Isabela
9. Onde comer na Ilha Santa Cruz e Ilha Isabela
Como chegar nas Ilhas Galápagos
O arquipélago de 19 ilhas e 200 ilhotes está localizado a cerca de 970 km da costa do Equador, no meio do Oceano Pacífico. Portanto, o voo até lá, saindo da cidade litorânea de Guayaquil, leva cerca de 2 h. Também há voos que saem diretamente da capital, Quito, com 2h30 de duração. De uma forma ou de outra, você precisa pisar no continente equatoriano antes de seguir para as ilhas.

Chegada no aeroporto Seymour, na Ilha de Baltra, Galápagos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
As duas únicas companhias aéreas que servem Galápagos são a LATAM e a Avianca e existem dois aeroportos no arquipélago: o Aeropuerto Ecológico de Galápagos (Aeroporto Seymour), que fica na Ilha de Baltra, e é o principal, e o Aeropuerto Isla San Cristóbal (SCY). Escolha seu voo de acordo com a localização da sua hospedagem ou a saída do seu cruzeiro. Bom saber que em Baltra não há hotéis ou porto. O que fazemos é tomar um ônibus Lobito (US$ 5) em um trajeto curto de 5 minutos que nos leva do aeroporto até os barcos e estes nos atravessam até a Ilha Santa Cruz.
Parece complicado, mas não é. Todos os turistas estarão seguindo o mesmo trajeto e tudo é super organizado por lá com preços que, embora em dólares, são tabelados. Não é difícil se organizar sozinho, mas certamente fechando com uma agência você terá o conforto de receber todo o suporte antes e durante a viagem, com um guia e motorista te esperando para te apoiar nesses traslados.

Filhote de leão-marinho na Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
O que é preciso para viajar para Galápagos?
Brasileiros podem entrar no Equador apenas com a identidade, já que o país é um estado associado ao Mercosul. Mas para entrar em Galápagos, eu recomendo levar o passaporte. Confesso que não tentei entrar com a identidade e não sei se funcionaria.
Coloquei abaixo o passo a passo para facilitar sua entrada em Galápagos:
- Antes de viajar, faça seu pré-registro online para adquirir seu cartão TCT (Tarjeta de Control de Tránsito) no site do Governo.
- Leve seu passaporte válido com mínimo de 6 meses antes do prazo de expiração.
- Chegue no aeroporto de Quito ou Guayaquil com antecedência e, antes de despachar a mala, dirija-se ao guichê do controle migratório para fazer o pagamento da taxa de ingresso no valor de US$ 20. Tenha em mãos seu passaporte e a passagem aérea. Essa taxa só pode ser paga presencialmente.
- O limite de bagagem para entrada em Galápagos é de uma mala despachada de até 23kg e um volume de mão de 10 kg – em qualquer voo ou categoria.
- Não leve nenhum alimento fresco na mala, já que eles podem introduzir organismos indesejáveis no frágil ecossistema. Nossas malas são cuidadosamente inspecionadas antes do embarque e também na chegada e esses alimentos são removidos.
- Ao pousar em Galápagos, você será direcionado para o guichê do Parque Nacional, onde deve apresentar novamente o passaporte, seu cartão migratório e pagar a tarifa do parque no valor de US$ 100 para residentes do Mercosul.

Los Tuneles, Ilha Isabela, Galápagos, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Galápagos: qual a melhor época para visitar?
A boa notícia é que o arquipélago de Galápagos é um destino que pode ser visitado o ano inteiro. Estive lá a primeira vez em outubro e a segunda vez em maio e, nas duas visitas, peguei dias incríveis, com vida silvestre ativa. Como as ilhas estão localizadas na linha do Equador, Galápagos não vive as típicas “quatro estações”. O que encontramos são basicamente duas estações:
– Estação quente e úmida (dezembro a maio): é considerada a alta temporada da região, com temperaturas que variam entre 27ºC e 30ºC. Também é a melhor época para mergulhos e snorkeling, com águas mais quentes e ótima visibilidade. A única questão são as pancadas de chuvas fortes (porém rápidas) que às vezes caem no fim da tarde. Mas elas dificilmente atrapalham os passeios e ajudam a manter tudo mais verdinho e fértil.
– Estação fria e seca (junho a novembro): temperaturas um pouco mais amenas (21°C a 26°C) e menos chuvas. A água do mar também está mais fria e com correntes mais fortes, por isso, não é a melhor época para o mergulho. Porém, é um ótimo momento para observação de vida silvestre, especialmente baleias, golfinhos, aves marinhas, e também para trilhas e caminhadas, já que as temperaturas estão mais amenas.
Recomendo evitar as férias de verão no hemisfério norte (julho, agosto e setembro) e também o fim de ano, quando Galápagos enche de norte-americanos e europeus.
Roteiro de 6 dias por terra em Galápagos
Neste roteiro de seis dias por terra decidimos ficar três dias em cada uma das principais ilhas de Galápagos: Santa Cruz e Isabela. Foi uma decisão estratégica com o objetivo de termos acesso a alguns dos principais passeios e também podermos fazer algumas atividades de forma independente. Você vai ver aqui dicas de passeios sem custo, que inclusive vão ajudar a baratear o seu roteiro, mantendo-o ainda super interessante, claro!
Qual o tempo ideal para ficar em Galápagos? Essa pergunta é difícil de responder, já que o arquipélago é imenso e é impossível conhecê-lo em uma só visita. Quanto mais tempo, melhor, obviamente! Mas posso dizer que em seis dias é possível ter uma linda imersão neste destino único. Veja aqui como foi nosso roteiro durante esses dias.

Ilha Santa Cruz, Galápagos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Ilha Santa Cruz, Galápagos: o que fazer em três dias
(o terceiro dia ficou para a volta de Isabela)
A Ilha Santa Cruz é uma das ilhas mais populosas de Galápagos, com cerca de 15 mil habitantes, concentrados principalmente na cidade de Puerto Ayora. Ela é o principal centro turístico do arquipélago, reunindo infraestrutura, restaurantes, hotéis e sendo base para a maioria das excursões às ilhas vizinhas.
Dia 01: Chegada no aeroporto de Baltra – Vulcões Los Gemelos – Rancho El Chato (tartarugas-das-galápagos) – Puerto Ayora
Nós desembarcamos no fim da manhã no aeroporto de Baltra onde, após tomar o ônibus e atravessar o Canal de Itahaca de barco, alcançamos então a Ilha Santa Cruz. Do outro lado do canal já nos esperava um motorista contratado pela Neotropic Expeditions para passar o dia conosco. Subimos de carro então em direção às “terras altas” (highlands), que é a região de “serra” da ilha, a 800 metros acima do nível do mar, onde um microclima quase de floresta úmida proporciona um dos melhores ambientes para a sobrevivência das tartarugas-das-galápagos. São elas, por sinal, que dão o nome ao arquipélago e, por isso, o encontro com essas criaturas precisa fazer parte do roteiro!

Cratera de um dos vulcões Los Gemelos, Ilha Santa Cruz, Galápagos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Vulcões Los Gemelos, Ilha Santa Cruz, Galápagos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Antes de visitá-las, passamos para observar as duas grandes crateras dos vulcões Los Gemelos. É possível fazer uma curta trilha ao redor das crateras, que estão cercadas por florestas de scalesias, árvores endêmicas de Galápagos. Este é um ótimo começo para nos lembrarmos de que, nos próximos dias, estaremos visitando um arquipélago vulcânico (ainda em atividade) e esta é uma das características que tornam as paisagens e a biodiversidade deste destino tão únicas.

Tartaruga-das-galápagos na Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Depois dos Gemelos seguimos então para o Rancho El Chato, uma das reservas na região das highlands que abrigam e protegem as tartarugas gigantes. Esta é uma reserva familiar que recebe visitantes há mais de 20 anos. Um guia da reserva nos leva explicando o trabalho de conservação e a importância das tartarugas-das-galápagos, os animais mais famosos do arquipélago, que podem viver até 150 anos e pesar até 300 kg. Em seguida ele nos deixa caminhar livres pela reserva, respeitando, claro, o distanciamento dos animais. Dentro da propriedade também é possível passar por túneis de lava, formados entre as rochas.
Almoçamos no próprio rancho e seguimos nosso caminho de carro até Puerto Ayora, principal centro urbano da Ilha Santa Cruz. Chegamos ali já no fim da tarde e fomos recebidas por um lindo pôr do sol no píer com pelicanos e leões-marinhos-das-galápagos.

Píer de Puerto Ayora, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Do píer foi só pegar um táxi aquático que nos atravessou em dois minutos até nosso delicioso hotel de frente para o mar, o Angermeyer Waterfront Inn, onde passamos as duas primeiras noites.
Dia 2: Tour da Baía – Estação Científica Charles Darwin – Playa Los Alemanes
Começamos nossa manhã fazendo um tour pela Baía da Academia, a grande baía localizada na extremidade sul da Ilha de Santa Cruz, que banha a cidade de Puerto Ayora. Este é um tradicional passeio de meio dia (3-4 horas) que parte de Puerto Ayora e visita diversas praias e cantinhos especiais na região, combinando trajetos em barco, caminhadas curtas e até mesmo snorkeling. O “tour de Bahia”, como é conhecido por lá, não é um passeio caro e vale muito à pena como uma primeira introdução à biodiversidade única e às paisagens surpreendentes das Ilhas Galápagos.

Tour da Baía Academia, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Tour da Baía Academia, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Nosso passeio nos levou a lugares como o Canal del Amor, Playa de Los Perros e Canal de los Tiburones, e pudemos observar iguanas marinhas, tubarões, leões-marinhos, tartarugas marinhas e ter nosso primeiro encontro com os incríveis patolas-de-pés-azuis (ou atobás-de-pés-azuis) uns dos habitantes mais simpáticos do arquipélago. Entre as surpresas, visitamos Las Grietas, uma fratura de vários quilômetros de extensão na rocha vulcânica que se conecta com o mar, formando uma piscina natural de cor turquesa. Ali a água doce da chuva, que vem da parte alta de Santa Cruz, se mistura com a água salgada. Embora a visibilidade não seja tão transparente quanto em outros cantos de Galápagos, vale à pena experimentar o snorkel.

Las Grietas, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Depois do almoço, aproveitamos a tarde para uma visita à Estação Científica Charles Darwin, localizada em Puerto Ayora, que traz uma narrativa sobre o trabalho de conservação da Fundação Charles Darwin desde 1958, contando histórias sobre a biodiversidade única de Galápagos e os desafios da conservação no arquipélago. A Estação abriga coleções de esqueletos de diversos animais e conta mais detalhes sobre alguns deles. A visita é gratuita e eles abrem de segunda a domingo, das 8h às 18h (incluindo feriados).

Estação Científica Charles Darwin, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Puerto Ayora, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Para fechar o dia, fomos até o outro lado de Puerto Ayora, onde está a Playa Los Alemanes. É preciso tomar um táxi aquático, saindo do píer, em uma travessia de apenas 3 minutos, e depois caminhar por mais 5 minutos. A Playa Los Alemanes é outra ótima dica de passeio gratuito. É uma praia pequena e tranquila. Não é das mais lindas de Galápagos, mas vale bastante a visita. A transparência da água nos permitiu ver, em pouquíssimas horas, arraias, tubarões e até iguanas marinhas nadando. Na areia, diversos pássaros circulavam no fim da tarde.

Playa los Alemanes, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Onde ficar em Santa Cruz: Angermeyer Waterfront Inn
Localizado na beira do mar, em Puerto Ayora, o Angermeyer Waterfront Inn é um hotel boutique cheio de personalidade, que combina charme histórico com vistas lindas da Baía da Academia. O acesso é feito apenas por barco, detalhe que cria uma sensação de refúgio. O charmoso edifício branco, construído com pedra vulcânica, guarda histórias de famílias pioneiras que por ali chegaram. Os quartos são claros e aconchegantes, muitos com varanda e vista para o mar. O hotel serve apenas o café da manhã, mas a equipe é extremamente atenciosa e dá todo o suporte na organização de passeios e atividades, fazendo do Angermeyer uma base perfeita para desvendar as praias, trilhas e a vida silvestre única de Santa Cruz.

Angermeyer Waterfront Inn, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Angermeyer Waterfront Inn, Ilha Santa Cruz | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Ilha Isabela, Galápagos: roteiro de três dias
A Ilha Isabela é a maior do arquipélago de Galápagos, mas é bem menos habitada do que Santa Cruz. Ela abriga uma população de aproximadamente 2.500 habitantes, em sua maioria na vila de Puerto Villamil. Isabela é conhecida por sua natureza preservada, vulcões ativos e rica vida selvagem. É ali que estão alguns dos lugares mais incríveis de Galápagos. Por isso, vale a pena reservar ao menos três dias para o destino.

Ilha Isabela, Galápagos, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Dia 3: Transfer para Ilha Isabela – Hospedagem em Puerto Villamil – Concha de Perla – Pedalada até o Muro de Las Lagrimas
Depois de dois dias na Ilha Santa Cruz, chegou a hora de atravessarmos até Isabela. Os barcos ferries são a opção mais barata e a travessia tem a duração de aproximadamente 2 horas. (A outra opção seriam voos diários em pequenas aeronaves que, obviamente, saem bem mais caros).
As saídas dos ferries também são diárias (às 7h e 15h, saindo de Puerto Ayora em direção a Puerto Villamil). Diversas empresas fazem a travessia, mas o preço é tabelado no valor de aprox. USD 40, ida / USD 35, volta, por pessoa. São barcos grandes com capacidade para cerca de 40 pessoas, porém super fechados. Se você enjoa facilmente, prepare-se para uma travessia árdua. Recomendo fortemente tomar algum remédio antienjoo. Como viajamos com a Neotropic Expeditions, ela organizou a logística e comprou as passagens para nós. É importante fazer isso com antecedência e ficar atento às seguintes recomendações:
A vantagem de pegar o ferry cedinho é que chegamos em Isabela com bastante tempo para aproveitar o dia. Do píer até o hotel, em Puerto Villamil, é possível tomar um táxi. Se você não estiver disposto a caminhar por uns 15 a 20 minutos com mala, recomendo agendar o táxi com antecedência, pedindo indicação à sua agência ou hotel.

Píer de chegada em Puerto Villamil, Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Uma ótima dica para esse primeiro dia é deixar as coisas na hospedagem, tomar um café reforçado e voltar até a região do embarcadero/píer, onde, bem pertinho, está a surpreendente Concha de Perla (Concha de Pérola) – uma lagoa natural de água salgada, azul turquesa, protegida por manguezais, onde vivem iguanas marinhas e outros incríveis animais. A Concha de Perla é um passeio gratuito: nós fomos até lá andando e não é cobrada a entrada.

Concha de Perla, Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
A lagoa de águas calmas e transparentes, com profundidades entre 2 e 4 metros, é perfeita para nadar com snorkel. Além de peixes, podemos encontrar tartarugas marinhas, leões marinhos e iguanas marinhas nadando livres. Meu incrível hotel, Casita de La Playa, nos emprestou o snorkel para o passeio.

Iguana marinha tomando sol na Concha de Perla | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Na parte da tarde, fomos pedalando até o outro lado da ilha com o objetivo de alcançar o Muro de Las Lagrimas. Novamente, o hotel nos emprestou as bicicletas (fat-bikes) gratuitamente. A rota Complejo de Humedales y Muro de Las Lagrimas, localizada dentro do Parque Nacional de Galápagos, tem 5 km (10 km ida e volta) com um ou outro trecho de areia mais fofa e algumas subidinhas leves, que deixam a rota um pouco mais desafiadora, mas nada impossível. Você pode optar também por fazer caminhando. O que vale bastante a pena são as diversas prainhas remotas escondidas e a chance de encontrar tartarugas-das-galápagos passeando lentamente pelo caminho. Eu não consegui chegar até o Muro. Estava exausta. Mas recomendo ir nem que seja até à metade do caminho!

Rota Complejo de Humedales y Muro de Las Lagrimas de bicicleta | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Rota Complejo de Humedales y Muro de Las Lagrimas, Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Dia 4: Passeio Los Tuneles – Laguna de Los Flamingos
Los Tuneles, também conhecidos como Cabo Rosa, é um passeio de lancha de dia inteiro, que nos leva a um dos lugares mais lindos da Ilha Isabela. Os Túneis são formações geológicas de lava solidificada do vulcão Sierra Negra que, ao chegar no oceano, criaram arcos, túneis e passagens surpreendentes. A região oferece águas calmas e cristalinas, ideais para mergulho com snorkel, onde podemos observar tartarugas-marinhas, cavalos-marinhos, peixes diversos, tubarões, além de pinguins e patolas-de-pés-azuis.

Roca Unión com atobás-de-nazca, Ilha Isabela, Galápagos, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
As lanchas partem com grupos de cerca de dez a catorze pessoas e fazem primeiro uma parada na Roca Unión, onde se concentram diversos pelicanos, atobás-de-nazca e atobás-de-pés-azuis. Em seguida, nos dirigimos a Los Tuneles, onde temos a oportunidade de caminhar um pouquinho entre as formações de lava e depois nadar por entre os canais com snorkel. Quando estive em Galápagos, essa experiência tinha acabado de inaugurar e se tornou uma alternativa ao passeio a Las Tintoreras. Eu não fiz esse segundo passeio e não vou saber te dizer qual o melhor. Mas, pelo que entendi, se você tiver pouco tempo, é suficiente escolher entre um dos dois, pois são experiências e cenários similares. O retorno é por volta das 2 ou 3 da tarde e ainda dá tempo de aproveitar o pôr do sol na praia de Puerto Villamil e curtir um happy hour em um dos bares locais.

Los Tuneles, Ilha Isabela, Galápagos, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Los Tuneles, Ilha Isabela, Galápagos, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Outra sugestão incrível para esse fim de dia é visitar a Laguna de Los Flamingos, que fica muito próxima ao centro de Puerto Villamil. Embora a paisagem não seja surpreendente, esta é a região ideal para se avistar flamingos e outras aves costeiras em Isabela. O melhor horário para encontrá-los é de manhã cedo ou no pôr do sol.

Laguna de Los Flamingos, Ilha Isabela, Galápagos, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Dia 05: Trilha Vulcão Sierra Negra e Vulcão Chico
Esse foi, sem dúvidas, o dia mais puxado fisicamente em Galápagos. A trilha até o vulcão Sierra Negra exige um pouco de preparo físico, mas não é uma caminhada difícil (a dificuldade é moderada, com uma inclinação suave). Vale muito a pena abrir mão de estar um dia perto do mar para ter a experiência de caminhar até a borda da cratera de um vulcão. Este é um passeio guiado que precisa ser contratado em uma das agências locais.

Cratera no vulcão Sierra Negra, a segunda maior do mundo, Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
A trilha total (ida e volta) tem 16 km e leva cerca de 3 horas. O Sierra Negra é o mais antigo e ativo entre os seis vulcões da Ilha Isabela e possui a segunda maior cratera do mundo, com aproximadamente 9,6 km de diâmetro e 90 metros de profundidade. Nossa trilha é feita em duas etapas. Primeiro alcançamos o mirante da cratera do Sierra Negra e depois caminhamos um pouco mais até o Vulcão Chico, que está a aproximadamente 860 metros acima do nível do mar. Sua última erupção ocorreu em novembro de 1979 e durou duas semanas. No Chico nos deparamos com paisagens surpreendentes de campos de lava e podemos caminhar algum tempo por entre elas.

Vulcão Chico, Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Onde ficar na Ilha Isabela: Casita de La Playa
Fiquei hospedada na Casita de la Playa, um hotel quase pé na areia, localizado na beira da praia de Puerto Villamil. É um hotel pequeno (são apenas 12 quartos) e charmoso, com jeitinho de pousada de praia, combinando estilo rústico com toques modernos. Serve um café da manhã caseiro delicioso, com vista para o mar, e o atendimento é super atencioso, ajudando com dicas práticas da ilha e a organização de tours e roteiros. Também emprestam equipamentos, como snorkel e máscara e fat bikes para pedalarmos por Isabela. A localização é privilegiada, pertinho de restaurantes, bares, agências e lojinhas.

Casita de La Playa, Ilha Isabela | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Dia 6: Ilha Santa Cruz – Tortuga Bay – Lagoa das Ninfas
Voltamos cedo para a Ilha Santa Cruz (na volta o horário do primeiro ferry é ainda mais cedo: 6am e 3pm) e chegamos em tempo de aproveitar o último dia em Galápagos. Para fechar nosso roteiro com chave de ouro, caminhamos até a famosa Baía Tortuga, que recebeu o nome devido às tartarugas-marinhas negras que ali fazem seus ninhos – embora eu não tenha visto nenhuma. Você pode chegar até lá de táxi aquático (que custa cerca de US$ 10) ou caminhar por 30 a 40 minutos a partir de Puerto Ayora. A caminhada é leve, com trechos de sombra e sol.

Tortuga Bay, Praia Brava | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Com águas quase transparentes, a Baía é formada pelas praias Brava e Mansa, sendo a Brava uma praia aberta e mais extensa, de mar mais agitado, e a Mansa uma pequena prainha deliciosa para banho. Entre as duas praias, iguanas marinhas descansam divertidamente na sombra. Como em quase todos os lugares de Galápagos, você também tem grandes chances de encontrar por ali leões-marinhos, tentilhões de Darwin e muitos outros animais incríveis!

Tortuga Bay, Praia Mansa | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Voltamos para o hotel no meio da tarde e eu precisava trabalhar. Mas a Roberta Martins, do blog Territórios, que me acompanhou nessa incrível aventura, ainda aproveitou para ir conhecer a Lagoa das Ninfas, que fica ali mesmo no centro de Puerto Ayora. Por isso, deixo a dica para vocês. É uma ótima parada na ida ou na volta de Tortuga Bay, principalmente porque é gratuita e ideal para todas as idades.
A Lagoa das Ninfas é uma lagoa de águas verde-piscina, cercada por manguezais. É um local para contemplação – não é permitido nadar nem fazer nenhuma atividade aquática. Portanto, dependendo do seu ritmo e do número de fotos desejado, em poucos minutos você conclui a visita.
Onde comer na Ilha Santa Cruz e Ilha Isabela
Finch Bay Galapagos Restaurant: sob o comando do premiado chef Andrés Orlando, oferece uma experiência gastronômica sofisticada à beira-mar, combinando ingredientes locais frescos — muitos cultivados em sua própria horta — com técnicas internacionais.
The Point: cozinha de terra e mar, em um restaurante descontraído com clima familiar e vistas incríveis da Baía. Delicioso para um happy hour.
Proinsular: uma cafeteria simples e charmosa escondida no andar superior do supermercado Proinsular.
Viajei a convite da Neotropic Expeditions e dos hotéis Angermeyer Waterfront Inn e Casita de La Playa
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