Passei mais de 20 dias conhecendo diferentes regiões do Panamá, entre cidades, montanhas, florestas tropicais, praias caribenhas e encontros com comunidades locais. E, mesmo depois de quase três semanas de viagem, voltei com a sensação de que ainda havia muito por descobrir pelo país. Pequeno em território (são 75.417 km², menos que o estado de Santa Catarina), mas enorme em diversidade natural e cultural, o Panamá reúne experiências muito diferentes a poucas horas de distância umas das outras. É fácil circular pelo país e seguro para mulheres que viajam sozinhas.
Embora nós brasileiras ainda tenhamos uma imagem do Panamá apenas como um local de passagem ou escala, eu te garanto que este país incrível merece, no mínimo, uma semana de viagem. E aqui vou te contar por quê. Vale lembrar que a Copa Airlines, companhia aérea oficial do Panamá, oferece a opção de fazer uma escala estendida de até 15 dias no país, sem custo adicional na tarifa.

Casco Viejo, Cidade do Panamá | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Desde os primeiros dias, me senti “em casa”. Os panamenhos são, em geral, acolhedores, comunicativos e divertidos e têm aquela descontração latina a que estamos tão acostumadas. Nos lugares por onde passei, encontrei um ambiente respeitoso, onde pude me vestir à vontade, conhecer pessoas, trocar sorrisos e aproveitar diferentes experiências com tranquilidade. Vi muitas outras mulheres viajando sozinhas ou em grupo, e percebi que nossa presença é vista com naturalidade. Em nenhum momento me senti desconfortável, insegura ou assediada. Para quem está pensando em fazer sua primeira viagem solo internacional, ou simplesmente quer descobrir um destino diferente e com experiências para todos os gostos na América Latina, o Panamá é o lugar ideal.

Cidade do Panamá | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Por que o Panamá é um ótimo destino para mulheres viajando sozinhas?
A facilidade de deslocamento, com ótima conectividade aérea, boas estradas e muitas opções de ônibus, e a proximidade dos destinos são grandes atrativos do Panamá. Outro destaque, claro, é a possibilidade de combinar natureza, cultura, aventura, gastronomia e bem-estar em uma mesma viagem. Com uma logística relativamente simples, é possível explorar a capital, fazer trilhas pelas montanhas, conhecer comunidades indígenas e relaxar em ilhas caribenhas sem precisar percorrer distâncias enormes.
É fácil montar um roteiro de acordo com seus interesses, seu ritmo e orçamento, optando por fazer quase tudo de forma independente ou contratar uma agência ou operadora para organizar a viagem. Eu, por exemplo, fiz parte do meu roteiro por conta própria e outra com o apoio de uma operadora. Nessa segunda etapa, contei com o acompanhamento de um guia em tempo integral, o que pode ser interessante para quem ainda não se sente totalmente confortável em viajar sozinha ou deseja explorar destinos mais remotos.
Outra vantagem para as brasileiras é a proximidade cultural e linguística. Mesmo para quem não domina o espanhol, a comunicação costuma ser relativamente simples, e as trocas com os panamenhos são, sem dúvida, uma das partes mais interessantes da experiência. Eles têm uma história e cultura riquíssimas para compartilhar e também adoram saber mais sobre nós. Aliás, são fãs do futebol brasileiro!

Visitando família Ngäbe-Buglé em Bocas del Toro | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
O que saber antes de viajar para o Panamá
Documentos e requisitos para entrar no Panamá
Brasileiras não precisam de visto para entrar no Panamá a turismo, mas devem apresentar passaporte com validade mínima de três meses, passagem de saída do país e comprovação de recursos financeiros de pelo menos US$ 500, caso seja solicitada pela imigração. O certificado internacional de vacinação contra a febre amarela deixou de ser obrigatório para quem chega do Brasil, embora a vacina continue recomendada para quem pretende visitar determinadas regiões do país, como Darién, Guna Yala e Panamá Este. Vale sempre conferir os requisitos atualizados antes de embarcar.
Dinheiro: qual moeda levar para o Panamá?
Apesar de ter uma moeda própria, o balboa, o Panamá utiliza o dólar americano no dia a dia. As duas moedas têm o mesmo valor, mas as cédulas utilizadas são sempre de dólares americanos. Você pode receber balboa em moedas. Cartões de crédito e débito internacionais são amplamente aceitos nas cidades e nos principais destinos turísticos. O cartão Wise funcionou super bem durante a minha viagem. Ainda assim, recomendo levar uma quantia em dólares, de preferência em notas pequenas, especialmente para visitar comunidades tradicionais, mercados locais e regiões mais remotas, onde nem sempre é possível pagar com cartão.
Como se locomover pelo Panamá?
O Panamá tem boas conexões aéreas domésticas, com aeroportos em diferentes regiões e voos de companhias como Copa Airlines, Air Panama e FlyTrip. Uma rede de ônibus conecta diferentes cidades, oferecendo opções econômicas e relativamente rápidas de deslocamento. A Rodovia Pan-Americana atravessa boa parte do país, desde a fronteira com a Costa Rica até a região de Darién, e estradas menores conectam diversas outras localidades. De modo geral, as principais rodovias são bem mantidas e sinalizadas, o que torna o aluguel de carro outra boa opção.
Na capital, é possível utilizar metrô, ônibus e Uber. Já no Casco Viejo, você vai circular basicamente a pé. Vale lembrar que algumas regiões, especialmente as ilhas do Caribe, exigem um pouco mais de planejamento, com deslocamentos de barco ou avião. Por isso, é importante pesquisar as conexões e os tempos de viagem antes de montar o roteiro.

Metrô na Cidade do Panamá | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
É fácil se comunicar no Panamá?
O espanhol é o idioma oficial do Panamá, mas quem fala português geralmente consegue se virar bem, mesmo sem dominar a língua. O inglês também é utilizado em hotéis, agências e estabelecimentos turísticos, especialmente na capital e em destinos mais visitados. A forte influência norte-americana deixou marcas na linguagem do dia a dia, com várias gírias e expressões “americanizadas”, e parte da população também fala inglês. Nas comunidades indígenas, você poderá ouvir línguas próprias, que fazem parte da enorme diversidade cultural do país. Saber algumas palavras em espanhol, ter um aplicativo de tradução à mão e, principalmente, estar aberta a conversar com as pessoas ajuda bastante!
É seguro viajar sozinha pelo Panamá?
O Panamá é um país relativamente seguro para viajantes, mas, como em qualquer destino, viajar sozinha exige alguns cuidados básicos. É importante pesquisar sobre as regiões que pretende visitar, evitar circular em lugares isolados à noite, utilizar transportes confiáveis e manter seus pertences sempre por perto. Embora os principais destinos turísticos sejam bastante frequentados e seguros para viajantes, algumas áreas específicas, especialmente partes de Darién, exigem atenção. Na Cidade do Panamá, recebemos recomendações para evitar o bairro de El Chorrillo, que fica ao lado do Casco Viejo, a menos que esteja com alguém local que conheça a região. Também sugiro contratar um seguro-viagem e compartilhar seu roteiro com uma pessoa de confiança.

Casco Viejo, Cidade do Panamá | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Onde ir no Panamá: 6 destinos para conhecer viajando sozinha
Uma das coisas que mais me surpreenderam no Panamá foi a diversidade cultural e de experiências que o país oferece. Em poucos dias, pude visitar uma capital moderna, cosmopolita e histórica, uma pequena cidade nas montanhas, florestas tropicais, praias paradisíacas e territórios indígenas. Durante meus 20 dias de viagem, conheci lugares muito diferentes entre si, que me mostraram várias faces da história e da cultura do país. A seguir, compartilho um pouco sobre os destinos que visitei e que recomendo para quem está planejando uma viagem pelo Panamá.
Cidade do Panamá: cultura, modernidade e natureza na mesma viagem
Porta de entrada do país, a Cidade do Panamá vai muito além do famoso Canal do Panamá e dos shoppings que, por muito tempo, dominaram o imaginário dos brasileiros sobre o destino. Moderna e vibrante, com seus arranha-céus à beira-mar, a capital também guarda uma história fascinante, marcada por transformações importantes até os dias de hoje. Um dos melhores lugares para começar a descobri-la é o Casco Antiguo (ou Casco Viejo), seu charmoso centro histórico, com ruas de pedra, construções coloniais de influência espanhola e francesa, igrejas, museus, cafés, restaurantes e rooftops com vistas incríveis. Caminhar sem compromisso por suas ruas é uma delícia, mas também recomendo fazer um free walking tour para conhecer melhor a história da cidade e do país.

Panama Viejo: ruínas coloniais da antiga Cidade do Panamá | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Em três dias, você conhece alguns dos pontos mais importantes da capital, mas com mais tempo é possível explorá-la com calma. Recomendo visitar o Biomuseo, dedicado à biodiversidade do Panamá, conhecer as ruínas de Panamá Viejo, onde a cidade foi originalmente fundada, e subir o Cerro Ancón para ter uma vista panorâmica da capital e aproveitar um pouco de natureza sem sair da cidade. Não deixe, é claro, de fazer a tradicional visita às eclusas do Canal do Panamá para conhecer uma das mais impressionantes obras da engenharia humana (e também os seus impactos). A Cidade do Panamá é um ótimo ponto de partida para uma viagem solo: é relativamente fácil circular entre as principais atrações, há muitas opções de atividades e você pode facilmente se juntar a outros grupos ou agendar passeios sozinha. Com alguns dias disponíveis, dá para combinar história, cultura, arqueologia, gastronomia e natureza, descobrindo uma capital muito mais interessante e diversa do que muita gente imagina.

Arranha-céus modernos da Cidade do Panamá | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Boquete: clima de montanha, aventuras e cafés especiais
Cercada pelas montanhas verdes da província de Chiriquí, Boquete foi uma das grandes surpresas da minha viagem pelo Panamá. Com temperaturas mais amenas, uma atmosfera tranquila e uma comunidade acolhedora, a pequena cidade é um convite para desacelerar e aproveitar a natureza. A região é famosa pela produção do café Geisha, um dos mais premiados e caros do mundo, mas seus atrativos vão muito além das fazendas de café. Trilhas por florestas nubladas, cachoeiras, observação de aves, aventuras ao redor do Vulcão Barú e experiências de turismo rural e gastronomia do campo à mesa fazem de Boquete um destino incrível para quem gosta de atividades ao ar livre.

Trilha Lost Waterfalls, Boquete | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Boquete oferece uma combinação deliciosa de tranquilidade e aventura. É gostoso caminhar sem pressa pelo centrinho, descobrir pequenos cafés e restaurantes e aproveitar o ritmo de uma cidade do interior. Ao mesmo tempo, há muitas opções de passeios guiados, em grupo ou individuais, que convidam a explorar as montanhas. Vale reservar pelo menos três dias para conhecer a região, visitar uma fazenda de café, fazer alguma trilha e descobrir as histórias de quem vive e produz por ali.

Lamastus Family Estates e os premiados cafés de Boquete | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Bocas del Toro: ilhas caribenhas, biodiversidade e vida local
No extremo noroeste do Panamá, Bocas del Toro é um arquipélago caribenho de praias paradisíacas, águas transparentes e clima descontraído, mas com muito mais a oferecer. São nove ilhas principais, cercadas por florestas tropicais, manguezais e recifes de coral que abrigam uma biodiversidade impressionante. As culturas afro-caribenhas e indígenas também estão presentes na gastronomia, na música, na arquitetura e no cotidiano das comunidades locais. Entre passeios de barco aos paradisíacos Cayos Zapatilla, mergulhos, trilhas pela floresta e experiências de turismo comunitário, há muito para descobrir em Bocas além de suas praias.

Bocas del Toro e a arquitetura de estilo anglo-caribenho | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Para quem viaja sozinha, o arquipélago oferece experiências para diferentes estilos e orçamentos. Na Isla Colón, onde fica Bocas Town, é fácil encontrar restaurantes, hospedagens, passeios organizados e outros viajantes. Uma das minhas experiências preferidas foi alugar uma bicicleta e pedalar até Playa Bluff, aproveitando a liberdade de explorar a ilha no meu ritmo. Já na Ilha Bastimentos, vale reservar alguns dias para se hospedar em meio à natureza e aproveitar a tranquilidade das praias e da floresta. Há ainda a oportunidade de visitar uma comunidade indígena Ngäbe-Buglé, na Ilha San Cristóbal, e aprender com eles sobre o plantio do cacau e a produção artesanal de chocolates. Recomendo pelo menos quatro dias para descobrir os encantos de Bocas del Toro sem pressa.

Red Frog Beach, Ilha Bastimentos, Bocas del Toro | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Guna Yala: ilhas paradisíacas e a cultura do povo Guna
Conhecida por muitos turistas como San Blas, Guna Yala é uma comarca indígena autônoma no Caribe panamenho, formada por uma parte continental e centenas de pequenas ilhas de areia branca, coqueiros e águas cristalinas. Mas a beleza natural é apenas parte do que torna esse destino tão especial. A região é habitada e administrada pelo povo Guna, que mantém vivas algumas tradições, sua língua e uma forte relação cultural e espiritual com o mar e o território. Visitar Guna Yala é também uma oportunidade de conhecer um pouco dessa cultura e entender a importância da autonomia indígena na preservação de seus modos de vida e da natureza.
É possível conhecer algumas das ilhas em um passeio de um dia, saindo da Cidade do Panamá. Mas prepare-se para uma jornada longa e cansativa, com saída ainda de madrugada, deslocamento por estrada e um trecho de barco. Quem prefere ficar mais tempo pode dormir em cabanas rústicas nas ilhas, administradas por famílias Guna. Nesse caso, é importante saber que a infraestrutura é realmente muito simples. Há também opções de hospedagem em veleiros, mas sugiro pesquisar como essas operações se relacionam com as comunidades e de que maneira contribuem para a economia local. Em um território indígena, é especialmente importante escolher uma agência autorizada para organizar a visita. Nos passeios tradicionais, o transporte entre as ilhas e os serviços de alimentação ficam a cargo dos próprios Guna.

Guna Yala, também conhecida como San Blas, o arquipélago indígena no Caribe | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Isla Coiba: biodiversidade e aventuras no Pacífico panamenho
No litoral do oceano Pacífico, a Isla Coiba abriga uma das maiores biodiversidades do Panamá. Ela integra o Parque Nacional Coiba, reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, e está cercada por vida marinha. Ali vivem tartarugas, golfinhos, tubarões-baleia e martelo, baleias, uma enorme diversidade de peixes tropicais e mais de 148 espécies de aves. Antiga colônia penal, Coiba permaneceu relativamente isolada durante décadas, o que contribuiu para a preservação de seus ecossistemas. Hoje, é um dos destinos mais interessantes do país para quem gosta de mergulho, snorkeling e experiências de contato com a natureza.

Ilha Coiba, Golfo de Chiriquí | Foto: Visit Panama
A principal porta de entrada para visitar Coiba é Santa Catalina, uma pequena vila de pescadores que se tornou conhecida entre surfistas e viajantes interessados em explorar o Parque Nacional. Outra opção é se hospedar em Pixvae, uma vila ainda menor, menos turística e mais próxima da Isla Coiba. Dos dois destinos saem passeios de barco, geralmente com paradas para snorkeling, observação da vida marinha e visitas a algumas das ilhas do arquipélago, além de saídas específicas para mergulho com cilindro. Como a região é protegida e o acesso depende das condições do mar, é importante planejar a visita com antecedência e escolher empresas responsáveis. Infelizmente, não consegui conhecer Isla Coiba nesta viagem, mas ela já é prioridade na minha próxima visita ao Panamá.

Parque Nacional Coiba, Golfo de Chiriquí | Foto: Visit Panama
Portobelo: história afro-panamenha e cultura caribenha
Na costa caribenha do Panamá, a cerca de duas horas da capital, Portobelo é um destino que reúne história, cultura e natureza. Durante o período colonial, a cidade foi um importante porto comercial do Império Espanhol e um dos pontos de passagem das riquezas extraídas das Américas. Hoje, suas fortificações históricas ajudam a contar parte dessa história, marcada também pela escravização de africanos e pela resistência de seus descendentes. É nesse contexto que nasceu a cultura Congo, uma das expressões mais importantes da identidade afro-panamenha, presente na música, na dança, nas máscaras e nas tradições locais, e reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Portobelo foi um dos lugares que não consegui conhecer durante meus dias no Panamá, mas já está na lista para a próxima viagem. Além das fortificações e das praias caribenhas, como a Playa Huertas e a Isla Mamey, vale conhecer de perto as tradições da cultura Congo e as iniciativas locais que valorizam a história, a arte e o protagonismo das comunidades afro-panamenhas. Para quem se interessa por turismo cultural e afroturismo, é um destino que merece entrar no roteiro.

Cultura afro-panamenha em Portobelo | Foto: Visit Panama
Vale a pena viajar sozinha pelo Panamá?
Depois de 20 dias viajando pelo Panamá, posso dizer que o país superou minhas expectativas em diversos sentidos e voltei de lá com “vontade de quero mais”. Além da beleza das paisagens e da surpreendente diversidade cultural, trouxe comigo especialmente os encontros humanos, as conversas com os panamenhos, os sabores deliciosos e a liberdade de descobrir cada lugar no meu próprio ritmo. Viajar sozinha me permitiu estar aberta a novas experiências, conhecer pessoas incríveis e aproveitar cada momento com tranquilidade.
Voltei para casa com muitas histórias para contar, um novo olhar para o Panamá e uma nova lista de lugares que quero conhecer no país. E com a certeza de que o Panamá merece muito mais do que uma escala entre dois voos. Para as mulheres que estão pensando em se aventurar em uma viagem solo, fica minha recomendação: deem uma chance a esse pequeno e surpreendente país da América Central. Talvez vocês também voltem querendo ficar um pouquinho mais!
Viajei a convite do Visit Panama