Destino Internacional

Hotel Mama Cuchara: arte e experiências locais em Quito

Hotel Mama Cuchara
O Hotel Mama Cuchara fica localizado no bairro de La Loma Grande, no Centro Histórico de Quito | Foto: Ana Duék, Viajar Verde
Escrito por Ana Duék

Você já se hospedou em um hotel que respira arte? Esse é a proposta do Hotel Mama Cuchara, localizado em um charmoso casarão preservado no tradicional bairro de La Loma Grande, no centro histórico de Quito, a incrível capital do Equador. No interior hotel boutique, os hóspedes são recebidos com uma coleção particular de obras de artistas equatorianos e de outras nacionalidades, além de exposições rotativas que valorizam a arte e a cultura local.

São peças para todos os gostos, e muitas delas dão vontade de levar para casa. A boa notícia é que sim, isso é possível: algumas estão à venda para os hóspedes! Além de beneficiar os artistas, claro, parte das receitas são destinadas para a comunidade local.

Hotel Mama Cuchara

No centro do Hotel Mama Cuchara está o restaurante La Plaza | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Toda a curadoria artística é pensada com carinho para aliar a experiência cultural, a preservação do patrimônio histórico e, claro, a qualidade do serviço de um hotel de luxo, gerando uma mistura única entre o antigo e o contemporâneo. O Mama Cuchara faz parte do grupo equatoriano Art Hotels, uma rede familiar de hotéis boutique que alia charme, história, criatividade, sustentabilidade, conforto e uma abordagem artística. Assim como o hotel de Quito, seus “irmãos” Hotel Otavalo (Otavalo), Hotel Cruz del Vado (Cuenca) e Hotel Río Guayas (Guayaquil) têm o mesmo propósito: hospedagens em localizações icônicas nas cidades mais importantes do Equador, apresentando arquitetura emblemática, narrativa por meio de obras de arte, compromisso com as comunidades locais e serviço personalizado cinco estrelas.

Hotel Mama Cuchara

Quarto do hotel Hotel Mama Cuchara, em Quito, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Um hotel que conta histórias

O casarão do Mama Cuchara foi cuidadosamente restaurado para abrigar o hotel, que hoje tem 30 quartos (26 apartamentos e 4 suítes) decorados individualmente. O pátio interno, iluminado por uma claraboia, abriga o restaurante La Plaza, que celebra a diversidade culinária do Equador ao propor uma interpretação gourmet de pratos tradicionais equatorianos. No alto do edifício, o rooftop bar El Santo Que Da Marido oferece coquetéis charmosíssimos e vistas panorâmicas da cidade, com um mirante que permite uma visão 360° de Quito.

O bar El Santo Que Da Marido traz uma visão 360° de Quito | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Os hóspedes também podem desfrutar de experiências exclusivas, como uma apresentação de instrumentos tradicionais equatorianos; uma degustação do renomado chocolate orgânico equatoriano Paccari, acompanhada de uma explicação detalhada sobre a história do cacau no país; uma oficina culinária interativa com o chef, dedicada ao preparo de pratos típicos do Equador; e um tour guiado pelos corredores do hotel com o concierge, que revela a coleção de arte e as histórias por trás de seus artistas.

O hotel está localizado ao final da famosa Calle Rocafuerte, onde uma rotunda forma com a comprida rua um contorno que se assemelha a uma colher. Por isso, a região e o bairro ganharam o nome carinhoso de “Mama Cuchara”.

Hotel Mama Cuchara

Calle Rocafuerte no bairro de La Loma Grande, onde fica o Hotel Mama Cuchara | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Bem antes de receber hóspedes, a mansão foi lar de famílias renomadas de Quito e até cenário de conspiração. De acordo com o historiador Fernando Jurado, entre março e agosto de 1875, Juanita Terrazas Monsalve, inquilina da casa, reuniu no local conspiradores liberais, como Abelardo Moncayo e Roberto Andrade, com o objetivo de planejar o assassinato do então presidente conservador Gabriel García Moreno. No dia 6 de agosto daquele mesmo ano, em uma esquina da catedral de Quito, o chefe de Estado foi executado.

Experiências locais em La Loma Grande, no Centro Histórico de Quito

Hoje, o Mama Cuchara está ajudando a recontar a história de La Loma Grande, junto com seus moradores. O bairro, que já foi muito vivo, passou por desafios de abandono e gentrificação. Mas por ali ainda resistem muitos pequenos empreendedores, ateliês e espaços incríveis para serem visitados. Hoje, os habitantes e comerciantes locais buscam ressignificar e contar a história da região através de seus patrimônios, sua gente e seus ofícios, investindo no turismo comunitário.

O Hotel Mama Cuchara criou o roteiro La Loma de Los Encantos, um tour a pé que convida seus hóspedes para conhecerem alguns dos incríveis profissionais e artesãos do bairro, vivendo uma experiência de conexão com os vizinhos. Além disso, temos a oportunidade de conhecer alguns cantinhos especiais região, além de patrimônios históricos consagrados. Fiz esse delicioso tour com o hotel e aqui estão alguns dos lugares e pessoas incríveis que conhecemos.

Importante: se você não tiver hospedado no Mama Cuchara e gostaria de fazer um tour comunitário por La Loma Grande, o Colectivo Mi Loma Grande, organizado pelos próprios moradores, oferece tours guiados.
Hotel Mama Cuchara

Fachada do casarão do Hotel Mama Cuchara à noite | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Começamos nosso roteiro com uma imersão na história e nos sabores no chocolate equatoriano (que ouso dizer, é o melhor do mundo!) na GCE Cacao Experience. Ela fica dentro de uma galeria de arte e artesanato, a Galería La Cuchara, em um espaço super charmoso. Em Quito você irá encontrar diversas experiências que contam sobre a história e produção do chocolate, mas poucas são tão completas quanto essa. Na Cacao Experience tivemos a oportunidade de acompanhar o preparo e degustar um chocolate quente inesquecível, saborear cerveja de chocolate, fazer esfoliação nas mãos com óleo de cacau, além é claro de experimentar chocolates finos de aroma.

GCE Cacao Experience Quito Equador

Explorando os encantos do cacau equatoriano na GCE Cacao Experience | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Nossa próxima visita foi ao ateliê de Don Alberto Avila, que se diz um apaixonado pelo entretenimento e trabalha com o artesanato de máscaras de há mais de 25 anos. O Equador tem uma tradição incrível com máscaras de papelão que têm diferentes significados e usos em diversos povos e festejos. Todo dia 31 de dezembro, por exemplo, o país se despede do ano queimando bonecos e máscaras de papelão ou pano – em sua maioria representando personagens políticos. Don Alberto é conhecido como “El Caretero” e suas máscaras contam histórias de diferentes regiões do país através da cultura popular. Depois de conhecermos o ateliê, Alberto nos convidou para botar a mão na massa e aprendermos a pintar nossas próprias máscaras.

Don Alberto Avila há mais de 25 anos trabalha com artesanato em máscaras | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Nossa última parada foi na Igreja de São Domingos (Iglesia de Santo Doming0), que faz parte do roteiro turístico tradicional de Quito e chama a atenção por sua fachada com apenas uma torre. Nós tivemos, porém, a oportunidade de conhecer os cantinhos escondidos e especiais da igreja e um pouco de sua história. Com uma construção que levou mais de 100 anos (1540 – 1688), a Igreja de São Domingos começou a ser construída por padres dominicanos e ganhou a intervenção de vários artistas da história de Quito.

Iglesia de Santo Domingo, Quito

Igreja de São Domingos, na Plaza de Santo Domingo, a poucos passos do Hotel Mama Cuchara | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Lá dentro, o Convento de São Domingos ainda abriga cerca de 12 padres da Ordem dos Pregadores (mais conhecida como Ordem Dominicana). Nos últimos anos, o convento passou a abrir as portas do complexo, em um programa de turismo patrimonial, para que os visitantes possam conhecer espaços antes reservados exclusivamente à vida religiosa. Assim, além da igreja principal, pudemos conhecer o Museu Fray Pedro Bedón, que reúne pinturas e esculturas dos séculos XVII e XVIII, em sua maioria de autores anônimos da Escola Quiteña de Artes e Ofícios, incluindo seu maior representante, Frei Pedro Bedón.

O Convento de São Domingos ainda ativo, onde vivem 12 padres dominicanos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Na biblioteca do convento, estão mais de 33 mil livros antigos, religiosos ou não. A igreja tem ainda diversas capelas. Entre elas, a mais impressionante, construída em três níveis diferentes, a Capilla de La Virgen del Rosario. Cada andar corresponde a uma estratificação: a mais baixa era destinada ao cidadão comum, a segunda ao sacerdote e às autoridades, e a terceira à Virgem do Rosário.

A biblioteca do convento abriga mais de 33 mil livros antigos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Capilla de La Virgen del Rosario, na Igreja São Domingos | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

Para terminar o passeio em alto estilo, subimos até as cúpulas da Igreja São Domingos, que reservam vistas incríveis do Centro Histórico de Quito. Uma ótima pedida é deixar essa subida para o momento do pôr do sol!

Cúpulas da Igreja São Domingos, Quito, Equador

Cúpulas da Igreja São Domingos, Quito, Equador | Foto: Ana Duék, Viajar Verde

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Sobre o Autor

Ana Duék

Jornalista de viagens com Mestrado em Gestão de Turismo e Hospitalidade pela Middlesex University (Londres). Desde 2015 defendendo um turismo mais consciente. Acredito que as viagens podem gerar mais impactos positivos para viajantes e para os destinos que nos recebem. Vamos descobrir como?

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