Destino Internacional

O que você precisa saber antes de visitar o Deserto do Atacama

Foto: Viajar Verde
Escrito por Ana Duék

Decidi fazer esse post antes de dar dicas sobre os passeios no incrível Deserto do Atacama porque, acima de tudo, sou a favor da informação e da conscientização. E acho que ela falta principalmente nos roteiros mais bonitos, voltados para a fotografia, como é o caso do Atacama. Ficamos tão obcecados em tirar incríveis fotos, que esquecemos de pensar em tudo que está por trás daquelas incríveis paisagens. Muitas das vezes acabamos meio perdidos, sem entender exatamente onde estamos.

Então, aqui vão minhas dicas para você chegar no Deserto do Atacama muito mais antenado, consciente e também preparado para as adversidades! Vamos lá?

1. Localização: situado no norte do Chile, o Deserto do Atacama ocupa uma área de aproximadamente 105,000 km², que se estende por 3 regiões chilenas até as fronteiras com o Peru e a Bolívia. Apesar de não ser capital de nenhuma das regiões, San Pedro de Atacama tornou-se a capital turística local, onde todo mundo se hospeda e de onde partem todos os tours para visitar o deserto.

Deserto do Atacama

San Pedro de Atacama vista de cima é um oásis verde no deserto | Foto: Viajar Verde

2. Altura: você já deve ter ouvido falar, mas não custa lembrar: San Pedro está a 2.400 m de altura, nada tão impossível. Mas alguns dos passeios te levam a 4 mil metros de altura, no meio da Cordilheira dos Andes. Por isso, a ideia é ir administrando o nível de altura e esforço dos passeios aos poucos para fazer sua adaptação. Comece, por exemplo, pela Reserva Nacional Los Flamencos ou o Valle de La Luna e deixe lugares como Piedras Rojas, Geisers del Tatio ou uma subida no vulcão Lascar para o fim.

Veja mais: Valle de La Luna, o passeio que não pode faltar no Atacama

Deserto do Atacama

Prepare-se para muito frio e falta de ar em Piedras Rojas, a 4 mil metros | Foto: Viajar Verde

3. Umidade: ele é conhecido como o deserto não polar mais árido do mundo e em alguns pontos dele não chove há mais de 300 anos. A umidade relativa da região é de 18%, mas no verão pode chegar a 3%. Atualmente só chove por lá duas semanas ao ano. Ou seja: prepare seus lábios, seu nariz, sua pele e seu cabelo pra uma secura absurda! Felizmente recebi esta dica de uma amiga antes de ir e fui abastecida de hidratantes e protetores labiais. O Sorine para o nariz acabou logo! Quem tem alguma questão com os olhos, vale muito à pena levar colírio também! E claro, não esqueça o protetor solar!

4. Água: como é de se esperar de um deserto, a escassez de água é um dos maiores problemas do Atacama. Mas até antes de o turismo estourar na região, os atacamenhos tinham ótimos sistemas artesanais de irrigação e fornecimento de água que bastavam para eles. A questão é que hoje o Deserto do Atacama recebe mais de 150 mil visitantes ao ano. Só em San Pedro vivem 8 mil pessoas. Para completar, o Chile ganhou, durante a ditadura de Pinochet, um Código de Águas, que o transformou no único país no mundo onde a distribuição de água é privatizada. O resultado são desvios de cursos de água, falta de gestão e outras improbidades. As faltas d’água são constantes e a água da torneira é totalmente imprópria para consumo. A venda de galões de água mineral é um dos maiores negócios pela cidade. O mais estranho é que quase não vi ou ouvi indicações para a economia de água. Mas agora que você já sabe do problema, vai fazer a sua parte, né?

Deserto do Atacama

No deserto mais árido do mundo só chove duas semanas por ano | Foto: Viajar Verde

5. Povos indígenas: os povos indígenas locais são descendentes dos povos originários Atacamenhos (ou Lickan Antay) que habitavam o Deserto do Atacama desde a época do Império Inca na América do Sul. Em meio a tantos turistas e imigrantes que chegaram para ocupar o turismo e seu território, às vezes é difícil encontrá-los. Mas faça um esforço. Eles são os verdadeiros donos destas terras e a raíz da cultura local Lickan Antay. Seu idioma, o Kunza, praticamente desapareceu, mas eles ainda preservam muitas tradições de seus ancestrais. Atualmente há 18 comunidades indígenas na região. Elas não ficam em San Pedro de Atacama, mas em povoados vizinhos, como Socaire, Río Grande, Machuca e Toconao, que estão no caminho de vários passeios. Muitos deles trabalham na mineiração e outros vêm tentando se inserir no mercado do turismo. Os indígenas ainda lutam pelo direito à terra, que muitas vezes é entregue para a exploração turística sem consulta. Mas, em alguns parques e atrativos turísticos locais, como a Reserva Nacional Los Flamencos, já conquistaram o direito de gerir o lugar junto com o governo.

Deserto do Atacama

Na comunidade de Socaire os indígenas tiram energia da água | Foto: Viajar Verde

6. Agências: ao caminhar pela rua principal de San Pedro de Atacama você vai encontrar diversas agências de turismo. Todas vendem basicamente os mesmos passeios por preços muito parecidos. O ideal é já sair de casa com alguns passeios agendados, assim você não corre o risco de perder algum tour que acha importante, principalmente se tiver poucos dias. Mas, se não conseguir resolver tudo antes, não se preocupe. Haverá sempre uma agência com lugares abertos para vários passeios na manhã seguinte. Procure escolher uma agência que vai te fazer conhecer a verdadeira cultura Lickan Antay e apoiar as comunidades locais! Eu indico principalmente as agências:
Etnikus: https://www.etnikuschile.com/ – ventas@etnikus.cl
Agencia de Turismo Nacion Lican-Antay: http://bit.ly/2CtD1Zt – lickanantay.expediciones@gmail.com – Calle Caracoles 349, San Pedro de Atacama
Ayllu Atacama: http://www.aylluatacama.com.br/ – reservas@ayllu.cl

Deserto do Atacama

A rua Caracoles, em San Pedro de Atacama, está cheia de agências de turismo | Foto: Ana Duék

Sobre o Autor

Ana Duék

Jornalista com Mestrado em Gestão de Turismo e Hospitalidade pela Middlesex University (Londres), cursando MBA em Marketing Digital pela FGV. Acredita que as viagens podem ajudar a formar melhores pessoas e lugares para se viver! Cada um pode encontrar o seu caminho.